segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Historiador diz que legalização das drogas é inevitável com o avanço da democracia


O historiador Henrique Carneiro afirmou que o projeto de lei apresentado pelo governo uruguaio em controlar a produção de maconha é muito pertinente. O professor da Universidade de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos vê com bons olhos  a ideia de criar um monopólio estatal sobre a produção, distribuição e comercialização da maconha.

“Isso elimina o risco de que o narcotráfico se legalize como empresas e impede que grandes multinacionais do álcool e do tabaco se apossem desse novo mercado”, afirma Carneiro.

Segundo o professor, esta nova perspectiva se encaixa muito bem com o debate, que pede uma revisão na conjuntura adotada atualmente quando o assunto é a chamada “guerra às drogas”.

Contextualizando, o historiador ainda explica que a repressão militar contra o consumo e a produção de drogas devem ser repensadas, uma vez que existem outras substâncias psicoativas que são legalizadas, como o álcool e o tabaco.

O pesquisador não para por aí e afirma que o atual sistema de combate às drogas está completamente falido, a começar pela questão social .

“Esse paradigma [social] tem significado uma forma de criminalizar a pobreza, de atacar as populações mais pobres, que são penalizadas por uma prática [uso de drogas ilegais] que, do ponto de vista da ciência ou dos critérios éticos e morais, não tem nenhuma distinção do uso das drogas lícitas. O fato de uma pessoa usar maconha ou cocaína é absolutamente análogo a utilizar álcool ou tabaco. Não existe argumento baseado na ciência ou no pensamento jurídico que justifique a separação de substâncias lícitas e ilícitas, na medida em que algumas substâncias lícitas são até mais danosas à saúde do que as ilícitas.”

Henrique Carneiro enumera o fator geopolítico, como sendo o segundo a influenciar negativamente contra o atual sistema de repressão às drogas.

“A ‘guerra contra as drogas’ se constitui num mecanismo neocolonial de controle de matérias primas, que são utilizadas nos países centrais com grande demanda e são um dos mercados de drogas mais importantes do mundo. A presença imensa dos Estados Unidos na política de guerra às drogas se transformou numa espécie de diplomacia imperial que controla militarmente nações produtoras de matérias primas.”

Para o historiador, o projeto do governo Uruguaio, que promete controlar a produção da maconha é bem pertinente, já que o estado controlado a produção da canabis evitaria que grandes multinacionais se apoderassem deste mercado.

“Muito pertinente e bem-sucedido nessa intenção de colocar o Estado como único a poder produzir e comercializar no atacado a maconha, porque isso elimina o risco de que os grupos criminosos ligados ao narcotráfico se legalizem como empresas e, ao mesmo tempo, impede que grandes multinacionais, principalmente aquelas já ligadas ao comércio do tabaco e do álcool, se apossem desse novo mercado.”

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