terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

E se o refrigerante fosse proibido?


Hoje me deparei com uma destas correntes que se propagam cada vez mais no facebook, que mostrava os malefícios da ingestão de refrigerante, demonstrando algumas substâncias essenciais para a fabricação do mesmo, mas que são altamente cancerígenos, além de causar outros males para a nossa saúde. Diante disso, em um longo devaneio, comecei a pensar como é tênue a linha que divide o que é uma droga lícita e uma droga ilícita. Com ideias surreais, comecei a brincar de imaginar e me perguntei: e se o refrigerante fosse proibido?

Imagine só, aquele refrigerante de domingo no almoço sendo tratado como desvio de caráter pela sociedade, ou, permitam-se imaginar as pessoas saindo de botecos ou padarias com seu refrigerante 2 litros escondidos, com medo de tomar uma dura policial e ser tratado como um bandido por ser um beberrão desta mistura gaseificada altamente cancerígena, mas que tem uma grande demanda para ser saciada. O quanto é utópico, mas engraçado, se as padarias botecos e qualquer estabelecimento que hoje vende refrigerante estivessem sujeitos a pegar uma pena de prisão de até 15 anos, por tráfico de refri, pois já que ele é cancerígeno, por consequência, seria um atentado à saúde pública. E aquele conservador sempre diria: “temos que endurecer a fiscalização na fronteira.”

A lei então diria que portar, guardar, compartilhar e mais blá blá blá litros de refrigerante seria configurado como um crime hediondo e o cidadão que fosse preso, coitado, sem ser bandido, apenas um viciado em refrigerante, seria tratado como um criminoso, porque foi pego com 8 litros de Coca Cola e isso são indícios de distribuição de substância que atentam à saúde da nossa sociedade, principalmente das nossas, criancinhas, que cada vez ficam mais viciadas e obesas com esta substância maligna, que com toda certeza veio do inferno, pois uma coisa ruim dessa só pode ser do diabo, tinhoso, demônio, lúcifer ou de qualquer que seja o nome desta praga.

Nesta altura do campeonato você pode me perguntar o porque de um exemplo esdrúxulo como este. A resposta é simples, pois em se tratando da proibição da maconha, os argumentos sempre são os mesmos dos conservadores, como aumento de usuários, a proibição se justifica pois a maconha faz mal, fumar maconha é coisa de bandido, maconha é a erva do capeta, maconha isso, maconha aquilo, e no final, o que separa esta divisão hipócrita da sociedade é apenas uma linha muito tênue do que é lícito e do que é ilícito, sendo que a grande diferença são que aquelas ilícitas ganham um alto preço no mercado negro e financiam objetivos obscuros e criminosos.

Por isso, quando o debate é principalmente sobre drogas, sobram preconceitos, religiosos, mocinhos, defensores da moral e do bem estar, e ao contrário do que deveria ser, falta muita objetividade, levando em conta as verdadeiras questões históricas, científicas, antropológicas, químicas e todas as outras vertentes da ciência, para discutir pontos de vistas que verdadeiramente são importantes, que vão nos mostrar que principalmente a proibição da maconha é uma questão econômica, xenófoba, cultural e racista; e que quando estamos falando de drogas em geral, vemos que ela é muito menos prejudicial para a sociedade quando adotamos táticas de redução de danos, do que manter este banho de sangue e de desperdício de recursos econômicos pregado pelos EUA, chamado guerra às drogas.

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