terça-feira, 14 de junho de 2011

Campus da Universidade Federal de Pernambuco é palco de aula sobre cultivo da maconha

Campus da Universidade Federal de Pernambuco é palco de aula sobre cultivo da maconha
Plantão | 13/06 às 19h43 Letícia Lins

RECIFE - O campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foi utilizado nesta segunda-feira à tarde para um aula, no mínimo, inusitada: como se cultivar um pé de maconha. A chamada "Oficina de Cultivo de Cannabis" teve 60 "alunos" e foi ministrada pelo antropólogo Sérgio Vidal, autor do livro "Canabbis Medicinal - Introdução ao Cultivo Indoor", lançado à noite em Recife. Durante o evento na UFPE, quinze volumes foram comercializados.
O oficina começou no hall do Centro de Arte e Comunicação (CAC) da UFPE, mas a pedido da diretoria do curso foi transferido para um local ao ar livre, a apenas cinco metros da área onde a aula prática havia começado. De acordo com o Secretário do CAC, Inácio Silva, essa foi a melhor solução para evitar o conflito entre a universidade e os adeptos da maconha:
- O espaço é institucional, e os organizadores não solicitaram autorização para a realização desse evento. O assunto é muito polêmico e complicado e não fica bem discuti-lo dentro de um estabelecimento educacional. Não se pode misturar as duas coisas - disse Silva.
Vidal - que é membro do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas - Conad - já deu várias oficinas, inclusive na Bahia e em São Paulo. Mas em Recife foi a primeira vez que ela ocorreu no campus.
- Em Salvador não foi no campus, mas na sede do Diretório Central de Estudantes, que não é campus, mas uma casa dos estudantes - disse, ressaltando, ainda, que o cultivo doméstico do entorpecente é um meio de conseguir a redução de danos para o usuário da droga.
- A maconha poder causar danos à saúde? Pode. Mas a maior parte dos danos provocados pela marijuana deve-se à proibição dela. É o risco que o usuário sofre ao ir na boca de fumo, é o risco que tem do usuário apanhar da polícia, o risco que tem de fumar uma coisa estragada ou adulterada, porque o traficante não tem preocupação com a qualidade do que ele está vendendo - disse.
Para ele, a melhor saída para o dependente da droga - inclusive para fins medicinais - é cultivá-lo em casa.
- A pessoa tem como controlar a qualidade e se defender do mercado perverso que tem lá fora. Não vai precisar sair de casa, nem ir na boca de fumo, nem transportar maconha, nem correr o risco de ser abordado pela polícia - ressaltou.
O antropólogo reconhece, no entanto, que a recomendação, se seguida, implica em tipificação no Código Penal. Portanto, plantar maconha em casa também é crime.
- Ele pode responder por cultivar para consumo próprio. E vai ter uma pena se for flagrado, não tem prisão, mas vai ter pena sim por essa conduta. Mesmo assim, é menos arriscado. Porque hoje em dia, a pena para quem compra ou porta é a mesma para quem planta para fins medicinais. O que é curioso é que no Brasil o governo reprime quem cultiva para consumo pessoal. Mas quem faz isso está deixando de colaborar com o tráfico de drogas - afirmou.
Na aula, o antropólogo mostrou como se cultiva a erva, que tipo de componentes devem ser utilizados nos jarros e explicou quais as flores que têm o princípio ativo da maconha.

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