terça-feira, 8 de maio de 2012

Maconha e Culinária - GMM (Global Marijuana March) (Por Alicia Castilla)


Nossa coluna de culinária de hoje tratará de outra das formas de consumo de Cannabis:
a GMM (Global Marijuana March). Este movimento que começou timidamente em 1999 hoje está espalhado por quase todos os países democráticos.

Como não poderia ser de outra forma, é um movimento baseado na criatividade. As consignas, os conceitos são os mesmos; só mudam as apresentações. Na web, no facebook, no youtube encontramos todo tipo de links com divertidas e interessantes imagens. Observando-as fica claro, como em todas as culturas a descriminalização da Cannabis é uma questão de liberdades individuais, de direitos humanos. Neste lema “no mais presos por plantar” está embutida “frente ao poder, planto-me”.

Instalei-me a viver no Uruguai em novembro de 2010 buscando um lugar onde me retirar da vida publica e de toda militância. Por um acontecimento bizarro em janeiro de 2011, quando não levava nem dois meses morando nesta terra fui presa por ter em casa 29 plântulas que levavam 30 dias de crescimento. Para minha surpresa, o caso entrou na mídia e ficou sendo tema de debate prioritário e excludente durante os 95 dias que permaneci na prisão. Fui liberada dois dias antes da GMM de 2011 na que recebi inumeráveis mostras de carinho de pessoas que obviamente não conhecia. Todas me pediam desculpas pela atitude da justiça uruguaia e diziam sentir-se envergonhadas, como uruguaios pelo sucedido.

Até então, a GMM, aqui, em Montevidéu, acontecia no Parque Rodo e consistia num palanque onde alternavam discursos anti proibicionistas e bandas de rock e de reggae.

O caso da minha prisão permaneceu na mídia durante o ano todo como “caso emblemático” dos abusos bizarros que produz a guerra contra as drogas.

Decidi deixar o retiro para mais adiante e juntei-me as militâncias uruguaias. Achamos que este ano começaríamos a marchar e convocaríamos outros excluídos como “ovelhas negras”, grupo de ativismo gay.

A concentração foi na Praça da Suprema Corte de Justiça, o maximo tribunal uruguaio para marchar até o Parlamento.

Abriu a marcha uma comparsa do batuque uruguaio, composta por afro descendentes. Eles andam com o mesmo passo que marcham os prisioneiros e os escravos com grilhetas nos pés. Quando estive em prisão também me colocaram as grilhetas e também andei nesse passo. No momento que iniciaram a marcha senti na pele a importância de continuar libertando-nos de todas as cadeias que ainda permanecem na sociedade. Confesso que me emocionei.

Começamos a caminhada; para minha surpresa, as pessoas continuavam com a mesma atitude do ano anterior. Famílias, grupos de jovens, até alguns septuagenários insistiam em pedir desculpas, em agradecer-me ter assumido ser consumidora e ter acabado com o preconceito de que quem fuma maconha leva rastas, não toma banho. Todos pediam para me dar um beijo, tirar uma foto comigo, de preferência com um baseado na mao. Muitos afirmavam que a minha prisão tinha sido o empurrão para saírem do armário. 

Muitos disseram coisas que me fizeram chorar, de alegria, de felicidade e pelo convencimento de que valeu a pena, que não foram à toa os 95 dias em prisão.

Os vários quilômetros até o Parlamento foram uma festa cívica, alegre e pacifica. Os amigos que me acompanharam achavam que eu recebi algumas centenas de beijos e tinha tirado outras tantas fotografias; eu não levei a conta. O fim da Marcha alcançou a apoteose num anfiteatro localizado atrás do Parlamento onde se apresentaram bandas de musica, cantaram-se consignas, tudo na Paz, no respeito, em harmonia iluminados pela maravilhosa Lua Cheia do Perigeu, o ponto mais próximo a Terra.

Hoje não tenho duvidas que um dos efeitos colaterais do consumo de maconha é lutar por nossos direitos.

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