quarta-feira, 7 de março de 2012

Cultivando uma Ideia na Universidade Federal de Viçosa - MG



Em outubro do ano passado, fui convidado a participar de dois debates na Universidade Federal de Viçosa, na semana de atividades organizada pelo DCE e diversos coletivos, dentre eles o "Cultivando Uma Ideia". A UFV tem um movimento estudantil forte e uma tradição de coletivos dos mais variados temas. Todos os anos, o DCE apresenta um manual para os calouros, editado pela Universidade. Neste ano a pró-reitoria proibiu a publicação do nome do Cultivando uma Ideia, coletivo que leva a discussão da legalização da maconha em Viçosa e que possui forte representatividade junto aos estudantes. Eu mesmo participei de um debate sobre a "lei de drogas", organizado pelo coletivo, com grande participação e interesse dos estudantes. A Universidade não tem como impedir o florescer das ideias, como registrou o Ministro Celso de Melo no julgamento da Marcha da Maconha.

A UFV foi criada em 1922, por um filho da cidade que se tornou Presidente do Estado de Minas Gerais e depois da República. Em 1926, Arthur Bernardes fundou a Escola Superior de Agricultura e Veterinária, que viria a se tornar a Universidade Rural de Minas Gerais e, posteriormente, a Universidade Federal de Viçosa. 

A UFV é uma das instituições brasileiras com mais docentes qualificados em nível de pós-graduação e desenvolve diversos tipos de pesquisa, tais como no campo dos transgênicos e agronegócios. Muitos estudiosos daquela universidade querem acompanhar a movimentação mundial do desenvolvimento da pesquisa da plantação de maconha para fins medicinais, religiosos e recreativos, mas começam a encontrar dificuldades com a proibição do Cultivando uma Ideia. É inclusive importante registrar o que estabelece o parágrafo único do artigo 2º da Lei 11343/2006, que está em vigor e trata sobre drogas:
“Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente para fins medicinais ou científicos, em local e prazo predeterminados, mediante fiscalização, respeitadas as ressalvas supramencionadas.”

A universidade deveria se orgulhar dos estudantes que cultivam uma ideia, pois são pessoas que têm a capacidade de colocar em prática seu libertário pensamento. A abertura do evento, em outubro de 2011, com a presença do pró-reitor, DCE, vários professores, estudantes e este advogado da Marcha da Maconha, para contar nossas vitórias e avanços na luta pela legalização da Maconha, foi sensacional. 

Depois, participei de um debate numa sala apenas com estudantes, onde o maior interesse foi com a questão do plantio, e não poderia deixar de ser, naquela linda universidade no meio de um paraíso verde da paz. A Universidade não pode retroceder, logo agora que a Corte Superior do Brasil avança em posições libertárias sobre o tema da maconha.

A universidade não tem o que temer. Os avanços da Lei 11343/2006 abrem as portas para o plantio com fins científicos e medicinais. Além de garantir a realização das Marchas da Maconha pelo Brasil, o Supremo Tribunal Federal aponta que pode considerar inconstitucional a criminalização do porte de drogas para uso próprio e todo o artigo 28 da Lei 11343/2006, agora em 2012. Essa onda não tem mais volta.
A censura que vem sofrendo o coletivo "Cultivando Uma Ideia" vai estimular ainda mais a realização de uma linda Marcha da Maconha em Viçosa.

A UFV deveria incentivar quem cultiva essa ideia e acompanhar o pensamento libertário em voga. Minas Gerais pode ser pioneira na defesa da liberdade, tão cantada em sambas-enredos do meu Império Serrano, como “Exaltação a Tiradentes” (1949) e “Heróis da Liberdade” (1969), ambos de composição da maior parceria da história: Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola.




ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha 

3 comments:

Anônimo disse...

As faculdades e universidades são dos jovens ou pelo menos deveriam ser. Pró reitoria não deveria interferir nem ter poder de proibir nada a não ser de tratar de assuntos administrativos da reitoria, e apoiar idéias e projetos realizados pelos jovens universitários que sabem bem o que fazem e não são crianças. Dr. André Barros, nossa querida Minas Gerais sempre saiu na frente no que tange a liberdade e o pensamento libertário no Brasil, os movimentos estudantis sempre foram expressivos entre os estudantes mineiros é uma referência e um exemplo para o resto do País. Parabéns por participar destes debates com os jovens universitários da UFV. Vamos plantar o verde, legalizando Jah. LUCADU.

Anônimo disse...

Dr. André, parabéns, sua luta vai libertar milhões de um estigma sem pé, cabeça e membros e ao mesmo tempo livrar nosso sistema judiciário (policia e juízes) para questões realmente importantes para o bom andamento da nossa sociedade.
Quero substituir o algodão da minha lavoura que depende de muitos fungicidas, inseticidas e adubos quimicos pelo cânhamo que não depende desses produtos que drenam nossa economia para as multis do setor, sei que após essa conquista a sociedade se beneficiará muito com sofrimentos inúteis de toda ordem, talvez a cura para os males dessa sociedade angustiada, ansiosa e a beira do caos em todos os setores (muitos setores já são um caos, transito, saúde, sistema tributário, etc) esteja na Cannabis,
precisamos vencer esta batalha para seguirmos para a próxima- imposto único- retificação das distorções desse sisitema que chamam de democracia, enfim, rumo ao paraízo...talvez lá não seja necessário a existencia de políticos e partidos, serão coisas do século passado que ainda insistem em nos atrapalhar, irritar e também drenar os recursos da sociedade?
Parabéns também aos nossos heróicos universitários, todos os outros deveriam seguir o exemplo, há muito a ser estudado, química, biologia, agronomia, medicina, economia, paz e harmonia...

Anônimo disse...

É isso aí, não é utopia isto pode virar realidade e vai virar. Com pessoas como nós, que temos perseverânça e acreditamos realmente numa vida melhor para todos, envolvidos ou não neste tema tão delicado e importante, que envolve o mundo inteiro. Lucadu.

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