terça-feira, 29 de maio de 2012

Entrevista: Confira o bate papo com Márcio Mário Pelajo, autor do livro Canábis Anonymous


Como de costume, o Maconha da Lata investe em entrevistas para cada vez mais informar o nosso leitor sobre o universo da Cannabis. No bate-papo de hoje, tivemos o prazer de conversar com o autor do livro “Canabis Anonymous”, Mário Márcio Pelajo, que expôs seus pontos de vista sobre este tema tão polêmico. Nesta conversa, Pelajo focou bastante nos benefícios da planta, como seu grande valor sustentável. Não deixe de conferir! Boa leitura!

Qual foi a principal motivação para que você resolvesse escrever o livro Canabis Anonymous e disponibilizasse a obra pela internet?

Desde criança sempre fui muito questionador, acho que por natureza. Tive uma educação de bastante qualidade, pois estudei nas melhores escolas da zona norte do Rio de Janeiro, mais precisamente nos bairros do Grajaú e do Méier. Isso só foi possível graças a tamanha dedicação e esforço dos meus pais. Tive uma educação de base quase que impecável, sendo sempre um dos melhores alunos da turma. Isso contribuiu para minha facilidade na expressão escrita. Paradoxalmente sou bastante tímido até hoje, inclusive tenho ainda algumas dificuldades em me expressar em público. Acredito que isso contribuiu ainda mais para meus auto-questionamentos, ao longo da minha vida. Sempre fui muito quieto. Sempre gostei muito de ouvir. Apesar de minha formação na área exata, tenho grande atração por assuntos como História, Geografia, Política, Economia, Cultura e meio-ambiente. Chegou um certo momento da minha vida, há uns 3 ou 4 anos atrás, em que estes assuntos se entrelaçaram na minha cabeça e eu percebi que a canábis tinha e tem relações com praticamente todos os problemas que vivemos, sendo inclusive, a grande solução direta e indireta para a maioria esmagadora deles, inclusive os mais importantes.

Para você, qual o principal motivo para a proibição da Maconha?

Uma espécie de escravidão do futuro, para possibilitar a concentração de renda na sociedade, pois a canábis é totalmente desconcentradora de renda. Suas propriedades são praticamente infinitas, baratas e naturais. Isso gera um efeito cascata na economia que só uma nova matéria-prima é capaz de fazer. Os maiores prejudicados seriam os grandes conglomerados econômicos que teriam que competir também com os novos pequenos e médios produtores de tecidos, remédios, combustíveis e fumo recreativo, dentre uma infinidade de outros produtos. Na verdade é até muito difícil encontrar algum produto que não possa ser fabricado a partir da canábis como matéria-prima. Este é o único motivo, que ao longo de décadas impactou na desinformação total da sociedade.

Quando se fala em descriminalizar ou mesmo legalizar a Maconha, existe algum país que você creia que pode servir de modelo para o Brasil?

Não. Todos os países do mundo, na minha opinião, estão muito longe do ideal. Eu acredito que o principal é que a planta seja usada como matéria-prima em seus infinitos possíveis fins, em benefício de toda a sociedade. Isso é o principal. Descriminalizar é importante, já é um primeiro passo rumo ao caminho certo. Mas é apenas o início da busca de regras para seu amplo uso. Isso com o tempo será inevitável, proporcional à consciência da população.

Explique como a legalização da maconha poderia influenciar nas políticas e na economia mundial, principalmente em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento:

A legalização regulamentada seria muito impulsionante para os países subdesenvolvidos. É uma grande geração de riqueza natural ao alcance de todos, ricos, médios e pobres. Basta ter um espaço. É possível até mesmo em apartamentos. Mas os imóveis rurais ficariam bem atraentes. A arrecadação governamental aumentaria muito e, se a legalização regulamentada tiver as premissas corretas, como por exemplo a estipulação de uma porcentagem mínima diretamente para a educação como forma de estímulo à prevenção de todas as drogas e ao desenvolvimento de novas tecnologias. Quanto à economia, seria a Quarta Revolução Industrial, como uma re-estruturação total do capital e consequentemente do poder, público e privado, no curto, médio e longo prazos.

Muito se relaciona a Cannabis à sustentabilidade. Em linhas gerais, quais os benefícios para o planeta se resolvermos estimular o plantio de Cannabis?

Este ponto é muito interessante, pois está totalmente claro que a humanidade está totalmente perdida neste 
assunto, e a verdade é que a produção obsessiva é considerada muito mais importante do que a preservação do meio ambiente. Há os que digam que para se preservar o meio ambiente é necessário reduzir a produção, ou seja, os dois assuntos são inversamente proporcionais. Essa afirmação é falaciosa, pois com os exemplos das propriedades da canábis já percebemos que podemos muito bem conciliar os dois assuntos. A verdade é que a legalização seria um grande impulso para a preservação do ambiente em que vivemos, deixando um mundo melhor para os nossos descendentes. A primeira vantagem é a menor área de plantio necessária para produzir a mesma quantidade de combustível ou manufaturas. Isso já disponibilizaria terreno para plantar mais combustível ou até mesmo outras coisas, como alimentos, cana-de-açúcar e soja. Com a entrada da canábis no mercado, os outros tipos de plantio podem muito bem continuar ou aumentar. Isso seria também um grande passo para o fim do desmatamento, que ocorre hoje principalmente por causa da dificuldade de aumentar as safras, em virtude do espaço, onde os grandes empresários do ramo invadem as áreas de floresta nativa para obtenção de solo. O aumento de safras sofre uma grande pressão governamental anualmente, diga-se de passagem. O desmatamento reduz a qualidade do ar que respiramos. A canábis é adaptável a climas quentes e frios. Nos climas quentes temos a vantagem de colher uma quantidade maior de safras, enquanto nos climas frios a vantagem de colher fibras com mais biomassa e mais resina. As vantagens de plantio nos climas quentes são maiores, no geral. A extração de madeira não seria mais necessária, pelo menos com essa grande demanda que temos hoje, pois a canábis, como já vimos, é uma matéria-prima muito superior à madeira provida dos eucaliptos, que são as árvores utilizadas para extração de madeira. O ciclo da canábis é bem menor que o do eucalipto, durando cerca de noventa a cento e vinte dias, algo parecido com a cana-de-açúcar mas, bem inferior aos outros concorrentes. A biomassa da canábis é maior que a de todas as outras plantas do mundo. As safras de canábis poderiam ser muito mais frequentes, principalmente se a tecnologia evoluísse ainda mais com a legalização regulamentada. A sazonalidade não teria tanto impacto assim, em virtude do tempo, da área necessária e dos mecanismos utilizados em cada safra, que são bem menores e/ou melhores. Outro ponto bem interessante é que para o plantio de canábis não é necessário qualquer tipo de pesticida, herbicida ou agrotóxico, acabando com a contaminação no solo proveniente destes produtos que são produzidos através do petróleo. A canábis não contamina o solo como todos os outros plantios, pois necessita apenas de pequenas doses de fertilizantes. Estas substâncias contaminam o solo, a água e os alimentos que todos nós consumimos, colocando em risco nossa saúde há muito tempo. Existem muitos outros benefícios, quando falamos em meio ambiente. A Erosão poderia ser combatida pela regeneração do solo. É muito interessante o fato de a canábis ser regeneradora do solo, portanto pode ser usada como regeneração verde da terra, no caso de outros tipos de plantações ou erosões. Pode afastar pragas e funcionar como barreira para elas entre campos de cultivo. A canábis possui um tipo de raiz que cresce para o fundo, à procura de estabilização. É possível o plantio com raízes bem próximas uma da outra.

Qual o papel educacional do Estado diante de uma possível legalização da Maconha?

Esse tema deverá ser muito bem controlado pelo Estado, principalmente pelo fato de que, como já vimos, a ingestão de canábis por menores de idade é um grande problema para o mundo, socialmente e intelectualmente. Teoricamente, o governo não quer que nenhuma substancia maléfica seja ingerida pela população, e está provado cientificamente que canábis faz mal para saúde, principalmente para menores de dezoito anos. Por isso devemos investir em prevenção de drogas nas escolas, ao invés de investir no ensino religioso, que mais parece uma escolha individual, e não para toda a sociedade. Agora, o traficante não, ele é o maior interessado em não haver qualquer tipo de regra para o consumo, como na prática hoje não há. O traficante vai fazer de tudo para os nossos filhos ficarem viciados. Por isso, com a canábis legalizada e regulamentada, quem toma conta do assunto é o governo, controlando o acesso a substância.



Porque quais motivos você acredita que a medicina brasileira seja ainda muito contrária ao uso da maconha?

Os cursos de medicina, por todo o mundo, possuem uma quantidade muito pequena de disciplinas relacionadas à nutrição e botânica, com muito pouco tempo destinado a esses aprendizados tão importantes. Existem três motivos que fazem com que os médicos não receitem a canábis como medicamento. O primeiro é o fato de que eles sofrem as mesmas influências que nós sofremos, cotidianamente, com informações falsas ou tendenciosas. A segunda razão é histórica, pois médicos ocidentais não tem o costume de receitar fitoterápicos, que é uma prática mais atrelada à medicina oriental. A terceira é a lei, pois muitos sabem das propriedades terapêuticas, mas sentem medo de repressões. Pergunte sobre o assunto ao seu médico, alguns já estão mais abertos ao diálogo sobre o tema.

Por favor, deixe uma mensagem para os leitores do Maconha da Lata:

Aos amigos do Maconha da Lata, deixo meus sinceros votos de muita sorte, amor e dedicação, na certeza que muitas portas no futuro se abrirão para toda a sociedade.

3 comments:

Anônimo disse...

Pô, já que vocês anunciaram que ele disponibilizou o livro dele pela internet, custava por o link para download?

Maconha disse...

nao custa nada nao!! foi puro esquecimento nao colocar o link na entrevista::

http://issuu.com/mmpelajo/docs/canabisanonymous_universodoautor

lucas gouvea disse...

Acontece ! Kkkk

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