quarta-feira, 25 de julho de 2012

Mujica fala novamente sobre a regulamentação da maconha no Uruguai


Diante da grande repercussão que causou na sociedade uruguaia a intenção do governo de regulamentar a venda de maconha no país, o presidente José Mujica fez um pronunciamento em que alertou seus compatriotas sobre a importância de elaborar novas maneiras para combater o narcotráfico.

“Apenas com repressão policial, será impossível”, resumiu o presidente uruguaio.

O passo que está prestes a ser dado pelos uruguaios rumo à legalização da maconha também chamou a atenção das Nações Unidas, que pediu autorização a Montevidéu para enviar uma comissão da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE) que acompanhasse as discussões.

Outro ponto abordado por José Mujica na entrevista foi tratar o problema a partir da lógica comercial. “Muito mais grave que os males causados pela droga na saúde humana é o resultado que o narcotráfico acarreta na sociedade”, pontuou. “O vício sempre existiu na história da humanidade. Vejamos o álcool e o tabaco, a cocaína nossos avós compravam na farmácia. Mas o comércio de drogas é um assunto contemporâneo, é uma atividade capitalista de mercado que se reproduz e tende a crescer como um câncer no corpo social.”

Mujica lembrou que a polícia uruguaia tem sido eficaz no combate ao tráfico e que, por isso, um terço dos presos nas cadeias do país tem relação com o comércio de drogas. "Há uma enorme eficiência, mas às vezes dá a sensação de estarmos enxugando gelo", pontuou. São cerca de 3 mil presidiários por ligação com as drogas numa população carcerária de 9 mil detentos, disse o presidente, que desenhou um universo de aproximadamente 200 mil consumidores de narcóticos no Uruguai.

A demanda existe, e enquanto houver gente que compre, estão criadas as condições para que haja oferta. Assim se movimenta a economia”, ressaltou o presidente. Mujica acredita que o vício dos usuários se traduz num interesse interminável pela droga, que acaba alimentando constantemente a venda de substâncias ilegais. Como se trata de um mercado repleto de riscos para os traficantes, que estão sujeitos a prisão e violência, os lucros obtidos com a operação costumam ser exorbitantes.

  “O valor acumulado internacionalmente com narcotráfico e lavagem de dinheiro assegura recursos financeiros para corromper governos, comprar generais, subornar juízes, impor candidaturas eleitorais e nomear parlamentares, como acontece no México”, enumera Mujica. “Mas o pior de tudo é que o tráfico de drogas tende a espalhar violência pelas sociedades. Como se trata de um mercado clandestino, suas leis sempre apelam à violência. Quando existe dívida, não se procura um advogado: se recorre automaticamente ao ajuste de contas.”

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