sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Comunicação: a principal arma para combater a ignorância


Como em todo lugar existem pessoas que ajudam uma causa e outras atrapalham. Com a maconha a coisa não seria diferente, principalmente por ser um tema polêmico, no qual se sustentou muito bem -  diga-se de passagem pelo bom marketing que fizeram e um plano de comunicação louvável – a proibição e a repressão desta planta, que contadas os seus benefícios medicinais e industriais, de forma alguma tem sua justificativa de proibição avalizada. Até o presente momento, nada foi constatado de fato sobre os malefícios da maconha e os argumentos para a manutenção da proibição pelos conservadores continuam sendo os mesmos, que ainda assustam as autoridades, mas de fato não se justificam a sua proibição, que até hoje não combateu o que ela se dizia eficaz: diminuir a oferta e a demanda da maconha. Vale a pena lembrar que desde que este conceito foi aplicado, ele só fez com que os narcotraficantes se organizassem, ganhassem poder e se armassem até os dentes, pois o tráfico de drogas com a proibição ganha cada vez mais suporte financeiro, já que a "guerra às drogas" faz com que estes entorpecentes, que são de fácil fabricação, haja visto que suas origens plantas (vegetal),que são tratados pela economia se fossem legalizadas como matéria-prima ou commodities, tenham um alto valor, justamente devido ao monopólio destes produtos pelos narcotraficantes.

O pior é que mesmo sendo os mesmos argumentos há 40 anos,  ainda sim fazem estragos no mundo inteiro, já que mesmo com uma mudança profunda na perspectiva da política de drogas, ainda sim a comunicação ( aqui se inclua o marketing e todas as meias verdades contadas pelos proibicionistas) foi usada de forma eficiente. E digo isso, porque, eles souberam usar da boa comunicação, e do conceito de comunicar para defender a proibição e claro os seus interesses.

Muitos ficam bravos quando dou o braço a torcer para os proibicionistas, contudo, vejo isso de uma forma interessante, pois como sempre defendi e como sempre vejo negligenciada em vários pontos do mercado, como lojas e industrias e claro, principalmente no ativismo, pois saber sobre comunicação é muito importante para defender qualquer ponto de vista, principalmente em uma “guerra” como essa, que basta a informação. Não precisamos nos armar belicamente para uma revolução - assim como faremos se um dia quisermos mudar esse sistema capitalismo sujo e nefasto – pois nossas armas são a informação de qualidade, mostrando que o que eles sustentam são meias verdades, do tipo a maconha causa esquizofrenia. 

Isto para quem não conhece a maconha ou não sabe de fato o que é, chega a ser bastante chocante, ainda mais para um pai,que vive em uma cidade do interior e que sempre cresceu com aquela errônea ideia de que maconha faz muito mal e que é a porta de entrada para a marginalidade.Contudo, ninguém explicou para ele, que isso é uma meia verdade porque não seu uso, mas o abuso de maconha, podem sim desencadear esquizofrenia em quem já tem a doença ainda não manifestada ou quem tem pré-disposição para tê-la, sendo que outras coisas também podem desencadear a esquizofrenia. O que de fato não se pode afirmar é que todo usuário de maconha, mesmo os abusivos, vão desencadear esquizofrenia. Por isso, eu digo o quão é importante a comunicação.Além do mais, o aumento de usuários de maconha cresceu e segundo uma pesquisa feita pela UNIFESP, para 1,5 milhão de pessoas. Sabendo que este dado é muito maior que o apresentado na pesquisa, pelo fato desse estudo não retratar e não levar em consideração as possíveis pessoas que não quiseram responder por se tratar de um assunto pessoal e muito polêmico, vemos que dados do Ministério da Saúde apontam que dois milhões de pessoas sofrem de esquizofrenia, sendo impossível dizer que a maconha é a causa da doença. Existem fatores genéticos, que são muito mais preponderantes que o uso da maconha, para desencadear a doença.

 A revista Veja, que é escancarada direitista e conservadora, de fato se usou da "artemanha" da comunicação para omitir e dar apenas a sua verdade, por isso eu digo sempre: "Aprendam a filtrar as coisas, essa ideia de jornalismo imparcial é mentira! Todo jornalista, por mais que tenha opinião contrária a determinado assunto - e isso serve para qualquer tema, principalmente os polêmicos- tem que seguir a linha editorial do veículo que ele trabalha, portanto, nem sempre você está lendo o texto de alguém que está comprometido com assunto.

O que quero que entendam, é que muitos vêm ainda o jornalismo como imparcial, quando na verdade não é. É preciso que você, leitor aprenda a filtrar o que vê e o que lê, vendo que muitas coisas são omitidas para atender favores de alguns, como a revista Veja sempre fez. Outro fator importante é que o jornalista que escreve, desde pequeno tem as influências proibicionistas.Portanto, existe ai um ponto em que os “ativistas” e “maconheiros” parecem não entender bem, visto que muitos ainda ao invés de usar de seus argumentos que não são meias verdades e estão embasados de maneira científicas,preferem não discutir ou se omitem com medo de aparecer. É preciso que muitos maconheiros se tornem maconhistas e vejam a questão como uma disputa intelectual, no qual nós estamos mostrando para os mais conservadores que eles estão errados. E definitivamente não se convence uma pessoa impondo, e sim mostrando as verdades embasadas pelos cientistas.A imposição só causa repulsa! É preciso que entendamos isso!!

É preciso entender que todo maconheiro deve defender a erva e todos devem por si só ter a consciência que a fumam porque gostam e nem por isso são marginais. É preciso que os maconheiros saiam cada vez mais do armário para fazer pressão e mostrar que o número de usuários da erva é muito maior do que imaginam. Veja bem, outras classes já conseguiram se mobilizar e mostrar que são cidadãos honrados como qualquer outro, como os homossexuais que cada vez ganham seu espaço. E aplaudo toda a mobilização dessas pessoas, que vem conseguindo mostrar seu valor e a importância de sermos tolerantes. E digo isso, porque vemos que quando a informação é tratada de forma séria, ela atinge a quem deve atingir: os proibicionistas, conservadores  e aqueles que querem a manutenção dos bons costumes. Aliás,você já deve ter escutado por aí algum ranzinza vomitar a seguinte piadinha: “Agora a moda é ser gay”. Mal sabe ele que é fruto de uma comunicação bem feita, preparada para combater os preconceitos e que de quebra fez a coisa que mais maconheiros deveriam fazer, aproveitando a mudança comportamental e o acesso e rapidez à informação: Sair do armário e defender a causa! E digo isso, pois você pode não ter um canal como eu para falar para muita gente, mas existe várias formas de falar e fazer pelo movimento, principalmente mudando o pensamento dentro de sua casa!! Eu sou prova que isso funciona, pois apesar de não convencer que a maconha não é a erva do capeta, de alguma forma eu consegui me impor e ser respeitado, afinal, hoje, eu já consigo fumar um dentro de casa, sem ser incomodado! Contudo, é uma questão de força de vontade e querer mudar, pois a revolução começa dentro de sua casa!!

Para finalizar este texto tão longo, digo que com esperança, com fé e com cada vez mais pessoas focada na argumentação, vamos conseguir reverter o placar. É de suma importância, que percebamos que a atual conjuntura política de drogas está em cheque, e que essa é a hora de nos unirmos e irmos com bravura, sem medo para a batalha, pois como dito neste texto essa luta não é armada e sim de ideologias. É preciso que saibamos explorar a comunicação a nosso favor, pois não adianta ficarmos brigando com a polícia, é inútil! Pois, ela só vai mudar quando o uso da maconha for descriminalizado! Convençamos os conservadores que é melhor legalizar, mesmo que eles não concordem com o uso do mesmo, mas que aprendam a ver que a regulamentação  e a redução de danos é  o caminho mais interessante a se seguir, pois dessa forma, com a maioria da população à favor da descriminalização, mesmo o governo sendo contra, ele não terá como segurar uma pressão popular! Sempre foi assim e sempre vai ser : “o povo unido, jamais será vencido”.

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