A Marcha da Maconha do Rio de Janeiro foi brutalmente implodida
por uma picape da tropa de choque da polícia militar. Tudo estava tranquilo,
faltava atravessar mais um quarteirão apenas para o evento terminar num grande
ato político cultural na areia. Sabiam que terminaríamos na praia e conseguiram
acabar com a nossa festa.
Mas nosso movimento mostrou a sua força e as próximas
Marchas da Maconha serão maiores ainda. Saímos fortalecidos e mais unidos.
Segunda-feira, dois dias depois da Marcha da Maconha do Rio
de Janeiro, protocolamos uma representação na Promotoria de Justiça junto à
Auditoria da Justiça Militar. Trata-se de crime praticado por militar no
exercício da sua função e a Denúncia cabe ao Ministério Pública junto à Justiça
Militar.
Queremos mesmo é saber quem mandou a tropa de choque avançar
sobre a Marcha da Maconha e que o mandante assuma seus atos. Evidentemente,
aqueles dois policiais não entrariam atirando pra tudo que é lado em plena
Vieira Souto, se não tivessem poderosos mandantes. Apesar desses nunca
assumirem seus atos, nós queremos saber quem deu a ordem. Pois queremos uma
punição contra os mandantes, os autores mediatos do crime.
Há um mês, protocolamos três ofícios, na Delegacia, Batalhão
e Região Administrativa, com telefone, endereço eletrônico e endereço do
escritório de advocacia da Marcha, apresentando todos os meios para as
autoridades entrarem em contato. Em todos os ofícios, anexamos, também, o
informativo do Supremo
Tribunal Federal sobre as decisões acerca da Marcha da
Maconha.
Três dias antes da Marcha, o 23º Batalhão fez contato com a
gente. Trocamos telefones e combinamos de resolver o que fosse necessário no
local, onde tudo seria organizado sem problemas, como nos três anos anteriores.
No dia do evento, todos os órgão apareceram, inclusive a CET-RIO (Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro ), levantando uma série de dificuldades com relação ao trajeto e ao
carro de som. Os policiais e outras autoridades criaram todos os tipos de
obstáculos. Mostramos todos os ofícios protocolados e o representante da CET-RIO falava de regras de trânsito para impedir a Marcha e o uso do carro de som.
E nós argumentávamos com a Constituição Federal e as decisões do Supremo
Tribunal Federal.
Já com milhares de pessoas, a Marcha saiu sob ordens de deixar
aberta uma das faixas da pista para a passagem do trânsito. Como a Marcha
crescia demais, quando já contávamos com mais de 5 mil pessoas, a pista inteira
de uma das mãos da Avenida Vieira Souto foi liberada. A Marcha da Maconha
chegou a dez mil pessoas e tomava grande parte da avenida Vieira Souto, da
forma mais alegre e pacífica.
A apenas um quarteirão de seu fim, entrou o carro da tropa
de choque pela contramão e avançou sobre a multidão. Um dos policiais desceu e
largou uma bomba de efeito moral que explodiu assim que ele retornou à picape.
Diante dos gritos de revolta, a reação da tropa foi bombardear a Marcha da
Maconha com gás de pimenta e lacrimogênio, bombas de efeito moral e muitos
tiros de balas de borracha de grosso calibre.
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